Embaixador de Cuba denuncia bloqueio dos EUA e alerta para ameaça de genocídio
247 – O embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo, fez duras críticas ao recrudescimento do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, com a ordem executiva ameaçando punir os países que forneçam petróleo a Cuba, e alertou para o risco de uma crise humanitária deliberadamente provocada contra a população cubana. As declarações foram dadas em entrevista ao programa Boa Noite 247, da TV 247, exibido nesta terça-feira (3).
Durante a conversa, Curbelo afirmou que as novas medidas adotadas pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aprofundam uma política histórica de hostilidade contra Cuba, com impactos diretos sobre o fornecimento de energia, o transporte, a produção de alimentos e o sistema de saúde. Segundo ele, trata-se de uma ofensiva que extrapola o campo diplomático e econômico, atingindo a vida cotidiana de milhões de pessoas.
“O que significa essa nova ordem é muito claro: impedir que chegue petróleo a Cuba, de qualquer procedência, de qualquer lugar do mundo”, afirmou o embaixador. Ele explicou que a medida prevê sanções severas contra países, empresas e embarcações que transportem combustível para a ilha. “Estamos falando de uma ação extrema, violatória do direito internacional, que aponta claramente para um genocídio contra o povo cubano”, disse.
Curbelo ressaltou que Cuba depende majoritariamente da importação de petróleo para gerar eletricidade, garantir o transporte público e manter serviços essenciais. “A eletricidade depende do petróleo, o transporte depende do petróleo, a produção de alimentos também depende da energia. Essa política afeta diretamente a vida do povo”, declarou. Segundo ele, não se trata de petróleo “doado”, mas de combustível comprado por Cuba a preços do mercado internacional.
O diplomata rechaçou com veemência as acusações feitas de que Cuba representaria uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos ou manteria bases militares e de inteligência voltadas contra os interesses desse país. “Cuba não abriga nenhuma base militar estrangeira. Cuba não abriga nenhuma base de inteligência dirigida contra ninguém. Tudo isso são narrativas falsas, mentirosas”, afirmou. Para ele, essas acusações servem apenas para justificar atos ilegais. “Não há nenhum compromisso com a verdade por parte do governo dos Estados Unidos. Pelo contrário, a mentira é apresentada como instrumento político”, acrescentou.
Ao comentar os impactos econômicos do bloqueio, Curbelo destacou que, apenas no último ano, as perdas impostas a Cuba chegaram a 7,5 bilhões de dólares. “É absolutamente falso dizer que o bloqueio não afeta o povo cubano. Isso é falso, além de criminoso”, declarou. Ele lembrou que as sanções dificultam o acesso a medicamentos, equipamentos hospitalares e insumos básicos, agravando problemas sociais e de saúde.
O embaixador também contextualizou a atual ofensiva dentro de uma longa trajetória de agressões contra Cuba. “O povo cubano vive há mais de seis décadas sob ameaças permanentes, incluindo invasões, sabotagens, ataques econômicos e tentativas de assassinato”, afirmou. Ele recordou que Cuba já esteve diante de riscos extremos, como durante a crise dos mísseis de 1962, quando a ilha esteve sob ameaça de aniquilação nuclear.
Segundo Curbelo, apesar do cenário adverso, Cuba mantém disposição para o diálogo. “Nós reiteramos muitas vezes nossa disposição ao diálogo, mas com respeito à soberania e à independência de Cuba, sem ingerência nos nossos assuntos internos”, afirmou. Ele ressaltou que os direitos do povo cubano à autodeterminação são “inalienáveis e irrenunciáveis”.
Ao abordar a reação internacional, o diplomata destacou manifestações de solidariedade de diversos países e movimentos sociais. “Recebemos manifestações importantes de solidariedade da China, da Rússia, do Vietnã, de países africanos e da América Latina”, disse. No Brasil, segundo ele, a solidariedade também tem sido concreta. “Hoje mesmo recebemos na embaixada companheiros do MST que plantaram árvores”, afirmou.
Curbelo concluiu sua participação reafirmando que Cuba não subestima a gravidade das ameaças, mas tampouco aceitará subordinação. “Cuba defende a paz, defende relações amistosas entre os povos, mas não vai aceitar submissão nem renunciar à sua soberania”, declarou. Para ele, a denúncia internacional e a solidariedade prática são fundamentais neste momento. “É preciso denunciar com contundência essa agressão e demonstrar, na prática, que os povos do mundo não concordam com essa política criminosa”, finalizou.
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