Abasteceu e notou algo estranho? 6 indícios de combustível adulterado
A adulteração de combustíveis tornou-se uma preocupação crescente no Brasil, com impactos diretos no bolso do consumidor, na saúde pública e na segurança veicular.
A prática criminosa envolve a adição de água, metanol ou outros solventes à gasolina e ao etanol, comprometendo o desempenho do motor e aumentando o risco de acidentes.
Com uma megaoperação recente desarticulando um esquema bilionário comandado pela facção criminosa PCC, é fundamental que motoristas saibam identificar sinais de combustível adulterado e proteger seus veículos.
Como ocorre a adulteração de combustíveis
Foto: iStock
O esquema investigado pela Fazenda de São Paulo revelou sonegação de mais de R$ 7,6 bilhões em impostos e adulteração de combustíveis em diversas etapas da produção e distribuição. Entre os métodos mais comuns estão:
- Gasolina com excesso de etanol, acima dos 30% permitidos por lei;
- Diluição com água, causando perda de potência;
- Mistura com nafta ou metanol, substâncias altamente tóxicas e inflamáveis.
O metanol, por exemplo, pode estar presente em concentrações de até 90% nos casos mais graves, enquanto a legislação brasileira limita a 0,5%. Essa substância não apenas danifica o motor, mas também representa risco à saúde humana e à segurança pública.
6 sinais de combustível adulterado no carro
Especialistas em mecânica automotiva apontam diversos indícios de que o veículo foi abastecido com combustível adulterado:
- Perda de potência, pois o pedal do acelerador fica “borrachudo”, com necessidade de maior pressão para manter a velocidade;
- Aumento no consumo de combustível, ocorrendo redução de até 30% na autonomia do tanque;
- Luzes de alerta acesas no painel, onde os sensores se tornam saturados devido à má qualidade do combustível;
- Dificuldade na partida pela manhã;
- Ruídos incomuns no motor, semelhantes a corrente de bicicleta trocando marcha, principalmente em subidas;
- Odores estranhos ou químicos saindo do escapamento, como solventes ou querosene.
Segundo José Luiz de Souza, especialista da ANP, é possível detectar combustível adulterado antes mesmo de abastecer, utilizando um simples teste caseiro: misturar 50 ml de gasolina com a mesma quantidade de água e sal, observando a separação dos líquidos após 10 minutos. A gasolina deve permanecer na parte superior da proveta; qualquer desvio indica irregularidade.
Testes de densidade e conformidade
Para maior precisão, o densímetro é um equipamento obrigatório em postos, conforme resolução nº 9 da ANP. A densidade máxima permitida para gasolina é 0,75425 t/m³. Valores significativamente inferiores podem indicar a presença de solventes como nafta ou metanol.
O coordenador do Laboratório de Pesquisa e Análise de Petróleo da UFES, Eustáquio de Castro, destaca que esses testes ajudam a identificar fraudes antes que causem danos ao motor e ao consumidor.
Metanol: perigo invisível
O metanol é amplamente utilizado na indústria química e na fabricação de produtos como adesivos, solventes e biodiesel.
No entanto, quando inserido ilegalmente em combustíveis, torna-se um agente altamente perigoso, tanto para veículos quanto para pessoas.
Seu manuseio inadequado pode provocar intoxicações graves, explosões e acidentes durante transporte e armazenamento.
A operação recente revelou que o combustível vendido pelo PCC continha níveis de metanol 180 vezes acima do permitido, evidenciando o risco de abastecer em postos irregulares ou desconhecidos.
Como se proteger
Motoristas devem:
- Preferir postos credenciados e fiscalizados pela ANP;
- Observar sinais de desempenho alterado após abastecimento;
- Solicitar testes de densidade quando disponíveis;
- Evitar preços extremamente baixos, que podem indicar fraude;
- Denunciar suspeitas de adulteração às autoridades competentes.
Manter-se atento e informado sobre os riscos da gasolina e etanol adulterados não apenas protege seu carro, mas também evita prejuízos financeiros e riscos à saúde.
Por fim, com testes simples e atenção aos sinais do veículo, é possível reduzir drasticamente as chances de ser vítima de fraudes nesse setor.
*Com informações G1
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