Petróleo: o início do fim ou o fim do início?

Petróleo: o início do fim ou o fim do início?

 Petróleo: o início do fim ou o fim do início?Barril-de-oleo-derramado-ilustracao-CC0-696x493 Petróleo: o início do fim ou o fim do início?
Barril de óleo derramado (ilustração CC0)

Em 10 de novembro de 1942, durante a Segunda Grande Guerra, após a vitória britânica na segunda batalha de El Alamein, no Egito, o primeiro-ministro Winston Churchil disse: “Now this is not the end. It is not even the beginning of the end. But it is, perhaps, the end of the beginning.” Traduzindo: “Isto não é o fim. Não é sequer o começo do fim. Mas é, talvez, o fim do começo.” Por mais de um século o petróleo foi o eixo da economia mundial. Moveu guerras, construiu impérios, financiou países e transformou empresas como a Petrobras, a ExxonMobil e a Shell em gigantes globais.

Mas toda hegemonia tem prazo de validade. A pergunta não é mais “se” a demanda vai cair. A pergunta é “quando” o mercado vai aceitar que a curva virou.

A eletrificação do transporte já é realidade. E agora surge um novo fator: baterias mais baratas, como as de íon-sódio. Quando o carro elétrico deixa de ser artigo de luxo e vira produto popular, o maior pilar do petróleo começa a ruir: gasolina e diesel leve.

E não estamos falando de discurso ambiental. Estamos falando de matemática. Se o custo por quilômetro rodado elétrico for menor, o consumidor migra. Se a frota migra, a demanda estrutural cai. Se a demanda estrutural cai, o preço entra em nova lógica.

Espaço PublicitárioywAAAAAAQABAAACAUwAOw== Petróleo: o início do fim ou o fim do início?cnseg-ads-banner-fullbanner-1000x100-v2 Petróleo: o início do fim ou o fim do início?

O mercado financeiro não espera. Bolsa antecipa tendência. Quando os investidores perceberem que: a demanda global pode cair 20%, 30% ou mais até 2040; o crescimento estrutural acabou; dividendos dependerão de um mercado em encolhimento.

As ações das petroleiras não cairão devagar; elas podem despencar. Porque ações são precificação de futuro — não de passado. Se o mercado concluir que o petróleo deixou de ser “crescimento” e virou “gestão de declínio”, a reprecificação será brutal.

Mas é o fim imediato? Não. O petróleo ainda terá espaço: aviação; petroquímica; fertilizantes; asfalto; lubrificantes. O mundo não para sem petróleo amanhã. Mas o que pode acabar é a era da expansão infinita.

O maior risco não é a tecnologia. É a percepção. Se fundos globais começarem a reduzir exposição estrutural ao setor, teremos: queda nos múltiplos; menor acesso a capital; maior volatilidade; empresas menores e mais seletivas. A história mostra que mercados punem setores em declínio antes que o declínio se consolide.

Então é o início do fim? Talvez seja o fim do início. O petróleo continuará relevante. Mas talvez esteja deixando de ser dominante.

A questão não é se as petroleiras vão desaparecer. A questão é se continuarão sendo as protagonistas da economia global — ou se se tornarão empresas maduras, defensivas, encolhendo lentamente.

E quando o mercado entender isso… Sim. Os preços das ações podem cair forte. Porque o futuro vale mais do que o passado.

Cláudio da Costa Oliveira é economista aposentado.

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