Contradições nos combustíveis – Minaspetro

Contradições nos combustíveis - Minaspetro

Fonte: independente

O aumento significativo da lucratividade da Petrobrás, e a dificuldade de que as reduções de preços sejam praticadas pelas redes de postos de combustíveis, também nos impõem um custo que poderíamos não estar pagando.

O petróleo, e seus derivados, como gasolina, diesel, e querosene, representam cerca de 33% de toda a energia consumida no Brasil, e 71% da energia gasta nos meios de transporte. Em função do nosso país utilizar fontes de combustíveis renováveis, como etanol e biodiesel, a dependência do petróleo é menor do que a média mundial, a qual está em 91% da energia consumida nesse setor.

Os preços dos derivados de petróleo tiveram altas significativas durante o período da pandemia, e voltaram a patamares normais a partir de 2023. No entanto, em janeiro daquele ano, o preço da gasolina estava em R$ 5,76 de média, e três anos depois, em janeiro de 2026, o preço está em R$ 6,16. Um aumento de 6,94%, que é relativamente pequeno, se levarmos em conta a inflação de quase 15% no período.

No entanto, o preço do petróleo em janeiro de 2023 estava em 86 dólares o barril, chegou a 96 dólares em setembro daquele ano, e hoje está em 64 dólares. No período, o preço do petróleo teve uma queda de 26%. Por sua vez, o câmbio que era de R$ 5,35 por dólar, hoje está em R$ 5,38, ou seja, praticamente estável, não sendo um fator determinante dos preços dos combustíveis, praticados em nosso país.

O caso do etanol também causa estranheza, pois é um produto nacional, que poderia ser mais amplamente utilizado, dada a nossa capacidade de produzir suas matérias-primas, como a cana de açúcar e a celulose, tem seu preço acompanhando o preço dos combustíveis fósseis, e em patamares que não o tornam competitivo, para que os motoristas venham a utilizá-lo preferencialmente. Para valer a pena a troca, o preço do etanol deveria ser 30% menor que o da gasolina, mas é praticamente impossível de encontrá-lo com diferença maior do que 20%.

E daí ficam as perguntas: porque, mesmo com o preço internacional do petróleo ter recuado 26%, e o câmbio ter ficado praticamente inalterado, os preços dos combustíveis, no mercado nacional, tiveram um crescimento de cerca de 7% ? E, porquê o preço do etanol tem de estar tão elevado, e flutuar conforme o preço da gasolina ?

A explicação dessa distorção está no fato de ter havido mudança na cobrança de tributos sobre os combustíveis, os quais haviam sido uniformizados e reduzidos durante os anos da pandemia, como forma de atenuar os valores exorbitantes que o barril de petróleo alcançou. Mas não foram somente os impostos que contribuíram para que não tivéssemos o benefício da queda dos preços do petróleo; o aumento significativo da lucratividade da Petrobrás, e a dificuldade de que as reduções de preços sejam praticadas pelas redes de postos de combustíveis, também nos impõem um custo que poderíamos não estar pagando.

No caso do etanol, a explicação é ainda mais complicada, pois não se encontram justificativas consistentes. O que se divulga é que a sazonalidade das safras, e a paridade com os derivados de petróleo, visto que nossa gasolina contém 27% de etanol, seriam as razões dos preços praticados, mas o fato de não variar sazonalmente durante o período de safra da cana de açúcar, já invalida esses argumentos.

* A análise e as opiniões do artigo refletem as impressões particulares do autor.

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