Grupo Atem consolida Manaus como a capital com os combustíveis mais caros do país
O início de 2026 traz um recorde amargo para o bolso do amazonense. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) revelam que Manaus consolidou-se como a capital com os combustíveis mais caros do país. No entanto, para além das questões logísticas, um fator central explica a pressão sobre os preços: o controle absoluto do mercado local pelo Grupo Atem.
Há vários anos, o grupo lidera o setor de distribuição no Amazonas e, desde a privatização, tornou-se dono da Refinaria de Manaus (Ream). Esse controle vertical — que vai do refino à distribuição até chegar aos postos — coloca o Grupo Atem em uma posição de domínio total sobre a cadeia de combustíveis no estado, ditando o ritmo dos preços que hoje sufocam o consumidor.
O levantamento da ANP, realizado entre os dias 4 e 10 de janeiro, mostra que a gasolina comum em Manaus atingiu o preço médio de R$ 7,09, superando todas as outras capitais brasileiras. Para efeito de comparação, em Vitória (ES), o litro custa cerca de R$ 6,31 — uma diferença de R$ 0,78 que pesa diretamente no orçamento das famílias manauaras.
O etanol segue a mesma trilha de exclusividade tarifária: em Manaus, o biocombustível custa R$ 6,29, enquanto em outras regiões do país o valor beira os R$ 4,30. O cenário torna o uso do etanol economicamente inviável na capital, eliminando qualquer vantagem do carro flex.
Especialistas apontam que a compra da Refinaria de Manaus (Ream) pelo Grupo Atem alterou a dinâmica de preços na região. Diferente das refinarias geridas pela Petrobras, que seguem políticas nacionais, a Ream opera com preços de mercado próprios para a região, muitas vezes ignorando quedas internacionais para manter margens locais.
Essa “ilha” de preços altos é facilitada pela ausência de concorrentes de peso no refino e na logística fluvial, criando o que críticos chamam de monopólio regional privado.
A situação gerou a reação do Ministério Público do Amazonas (MPAM). Em outubro de 2025, a 51ª Promotoria de Defesa do Consumidor protocolou 33 ações civis públicas contra postos da capital por suspeita de formação de cartel.
A investigação, que durou dois anos, aponta que os estabelecimentos ajustam valores de forma simultânea e artificial, eliminando a livre concorrência.
Enquanto o MPAM tenta quebrar a “combinação de preços” nas bombas, o consumidor permanece refém de uma estrutura de mercado onde poucas mãos controlam o que o estado consome.
Sem alternativas reais de abastecimento e com o domínio do Grupo Atem e da Ream, o motorista de Manaus segue pagando a conta de energia e transporte mais alta do território nacional.
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