Governo dos Estados Unidos decide que fica liberado jogar fumaça preta nos outros com carros diesel

Governo dos Estados Unidos decide que fica liberado jogar fumaça preta nos outros com carros diesel

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A partir de agora, adulterar sistemas de emissão em veículos a diesel nos Estados Unidos não será mais considerado crime.

O Departamento de Justiça do governo Trump ordenou que promotores federais suspendam processos e abandonem investigações relacionadas ao uso e venda de dispositivos ilegais que burlam os controles antipoluição.

Na prática, a medida legaliza a prática conhecida como “rolar carvão”, em que caminhonetes modificadas emitem nuvens densas de fumaça preta — símbolo de resistência às normas ambientais.

A decisão foi assinada pelo vice-procurador-geral Todd Blanche, que alegou estar priorizando o uso eficiente dos recursos do Departamento de Justiça e buscando “consistência” na aplicação da lei.

O problema é que a nova interpretação contraria pareceres de procuradores de carreira e técnicos da própria Agência de Proteção Ambiental (EPA).

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Segundo documentos internos, a ordem se baseia em uma teoria jurídica inédita e controversa, que defende que tais violações não podem ser tratadas como crimes sob a Lei do Ar Limpo, apenas como infrações civis.

Procurado, o Departamento de Justiça limitou-se a citar uma postagem feita em rede social, afirmando que está “exercendo sua discricionariedade” para deixar de processar criminalmente esses casos.

A decisão pode afetar diretamente mais de uma dúzia de processos em andamento e pelo menos 20 investigações federais em curso por fraude ambiental.

Entre os alvos estão empresas e mecânicos que vendem ou instalam os chamados “defeat devices”, que desativam filtros e sistemas de controle de emissões em caminhonetes e SUVs a diesel.

O anúncio veio poucos meses depois de o presidente Trump conceder perdão presidencial a Tony Lake, um mecânico de Wyoming condenado por violar a Lei do Ar Limpo ao modificar veículos a diesel.

O caso havia sido usado por aliados republicanos como exemplo de “perseguição política” ambiental por parte da administração anterior.

Dados da própria EPA mostram que, entre 2009 e 2019, mais de 550 mil caminhonetes a diesel tiveram seus sistemas antipoluição removidos nos EUA.

Como resultado, cerca de 570 mil toneladas extras de óxidos de nitrogênio foram lançadas na atmosfera, agravando a poluição do ar.

Além de nociva à saúde, essa prática aumenta o consumo de combustível e suja o próprio veículo, mas se mantém popular entre grupos que veem nela um ato de desafio às normas ambientais.

A decisão de agora marca uma mudança clara de postura: sai o combate às fraudes ambientais, entra a permissividade oficial.

Especialistas ambientais apontam que o recuo na fiscalização pode comprometer ainda mais o controle de poluentes nos transportes — um dos maiores desafios dos EUA na luta contra a mudança climática.

Enquanto isso, para muitos, o gesto tem pouco a ver com liberdade individual e muito mais com populismo ambiental reverso, que prioriza ganhos políticos momentâneos em detrimento da saúde pública e do meio ambiente.

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