Refinaria Riograndense avança para se tornar a primeira biorrefinaria do Brasil em 2026

Refinaria Riograndense avança para se tornar a primeira biorrefinaria do Brasil em 2026

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Em Rio Grande, unidade fundada em 1937 avança para produzir diesel verde, SAF e outros combustíveis renováveis a partir de óleos vegetais.

Rio Grande será a primeira cidade da América Latina a produzir combustíveis a partir de matéria sustentável. Isso acontecerá com a conversão da Refinaria Riograndense em Biorrefinaria, prevista para 2026.

Durante essa transição, a unidade abandonará definitivamente a produção de combustíveis fósseis, passando a operar exclusivamente com produtos de origem renovável, obtidos principalmente a partir da soja.

Além do avanço tecnológico para a empresa, a mudança trará impactos ambientais positivos para o país. A produção de biocombustíveis tende a reduzir de forma significativa as emissões de gases de efeito estufa.

— Reduzir o uso do petróleo é o primeiro grande passo para o sucesso da transformação energética. A conversão da refinaria é o nosso ponto de partida para a produção de combustíveis verdes, que vai nos permitir mudar da economia cinza, baseada na queima de combustíveis fósseis, para livre de carbono — afirma Marcelo Dutra da Silva, ecólogo e professor da Universidade Federal do Rio Grande (Furg).

Entre os derivados que serão produzidos estão gás de cozinha, óleo combustível para embarcações, aviões e resinas utilizadas na fabricação de borracha sintética, nylon e PVC, sendo todos com base renovável.

— A primeira fase do projeto, com a conversão da unidade para produção de combustíveis e químicos renováveis, está planejada para entrar em operação no primeiro trimestre de 2026, iniciando efetivamente a nossa entrada nos mercados de produtos renováveis  — afirma Lício França Gomes, diretor superintendente da Refinaria.

A segunda etapa, que pretende a fabricação de biocombustíveis mais avançados, como é o caso do de aviação, conta com um investimento estimado em US$ 1 bilhão.  

Segundo a empresa, esse valor foi definido a partir de dois anos de estudos técnicos, orçamentos de engenharia, estimativas de construção e levantamento dos custos dos equipamentos necessários. 

O trabalho foi realizado para que os acionistas tivessem clareza sobre o tamanho do investimento e pudessem avaliar se avançam ou não para essa fase do projeto.

Agora, para essa segunda fase ser viável, uma reunião entre os sócios Petrobras, Braskem e Ultra, deve acontecer no primeiro semestre. 

— Entre os fatores que devem ser analisados na reunião estão segurança técnica do projeto, estruturação dos modelos comerciais e competitividade e disponibilidade de matérias-primas disponíveis — relata o diretor.

Caso aprovado, a unidade também deverá iniciar a produção de querosene sustentável para aviação e o diesel verde renovável.

Testes industriais e validação tecnológica

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Em dezembro, a refinaria realizará um novo teste industrial utilizando óleo de soja combinado com óleo de milho.

Segundo a empresa, a etapa de análise para verificar se a tecnologia necessária é possível de ser operada na unidade já foi finalizada. 

Agora, estão sendo concluídos estudos que definem os custos, investimentos e retornos esperados do projeto, além dos ajustes finais de engenharia que detalham como a planta será construída ou adaptada para operar.

Em dezembro, a refinaria realizará um novo teste industrial utilizando óleo de soja combinado com óleo de milho técnico (TCO), para avaliar rendimento da tecnologia com as duas fontes renováveis. 

— O projeto já atingiu marcos muito importantes ao longo dos últimos dois anos. Realizamos testes industriais  que demonstraram a capacidade da refinaria de processar matérias-primas renováveis com segurança e eficiência — destaca Lício.

A realização dos testes de biorrefino começaram em maio de 2023, a partir de um acordo de cooperação assinado entre as empresas acionistas da Refinaria Riograndense — Petrobras, Braskem e Ultra. Na época, a tecnologia utilizada foi desenvolvida pelo Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação (CENPES) da Petrobras.  

Nesta etapa, que contou com um investimento de R$ 45 milhões, foram utilizadas duas mil toneladas de óleo de soja para preparar a unidade. 

A primeira fase processou 100% de óleo de soja em uma escala industrial, sendo pela primeira vez  em uma unidade de craqueamento catalítico convencional, ou seja, uma instalação típica de refinarias de petróleo usada para quebrar moléculas pesadas de petróleo em moléculas menores e mais valiosas.

Já em junho de 2024 foi realizado um segundo teste, por meio do coprocessamento de carga mineral com bio-óleo, uma biomassa não alimentar. O procedimento gerou propeno, gasolina e diesel com conteúdo renovável.

Transformação vai gerar 3 mil postos de trabalho 

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Fornecimento de matérias-primas para a produção de biorrefino será majoritariamente local.

Durante a construção, o projeto deve gerar cerca de três mil empregos diretos e indiretos. Na operação, serão mantidos 400 a 500 funcionários diretos, além de movimentar toda a cadeia de serviços terceirizados e atividades de apoio. 

A iniciativa projeta criar um novo eixo agroindustrial-portuário no sul do Rio Grande do Sul, diversificando a economia, aumentando a renda no campo e consolidando o Estado como um player global em energia limpa.

— Estudos internacionais apontam que projetos industriais dessa natureza costumam gerar um impacto ampliado de 3 a 5 vezes o valor investido. Independentemente desses multiplicadores, o projeto deve gerar pelo menos mais US$ 1 bilhão de impacto econômico adicional nos setores adjacentes ao biorrefino  — comenta o superintendente.

O fornecimento de matérias-primas será majoritariamente local, aproveitando a abundância de oleaginosas e gorduras na região. A Refinaria afirma que os contratos com os produtores da região serão de longo para garantir segurança na mão de obra local.

Além disso, a proximidade do Porto do Rio Grande permitirá complementar o abastecimento com produtos de outras regiões e do exterior.

O presidente da Portos RS, Cristiano Klinger, afirmou que a transformação da atual refinaria na primeira biorrefinaria do Estado representa um marco decisivo para o futuro do complexo portuário de Rio Grande. 

Segundo ele, a mudança amplia as perspectivas de desenvolvimento econômico e logístico:

— Dentro da transformação da refinaria, o porto auxilia no desenvolvimento dos projetos, desde o recebimento dos insumos até o envio dos produtos que serão fabricados. Teremos aqui a possibilidade de pensar em um bunker verde para os navios. Isso cria novas oportunidades não só para o porto, mas para toda a região — ressalta.

Na visão do diretor da unidade, a região estratégica é um dos fatores decisivos para o sucesso da transição.

— A Refinaria Riograndense está posicionada no coração de uma região com enorme abundância de óleos vegetais e gorduras. Essa disponibilidade local é um ativo que poucos projetos de biorrefino no mundo possuem  — destaca Lício França Gomes, diretor superintendente da Refinaria.

Mercados nacional e internacional

A transformação da Refinaria em Biorrefinaria pretende atender simultaneamente o mercado interno, com crescente demanda por diesel verde  e mercados internacionais como Estados Unidos, União Europeia, Japão, Coreia do Sul e Canadá.

Impacto ambiental e o papel dos biocombustíveis

As estimativas finais de redução de emissões da biorrefinaria ainda dependem das matérias-primas utilizadas e do mix de produtos. Mesmo assim, a empresa projeta reduções superiores a 80% em relação aos combustíveis fósseis tradicionais. 

Para o ecólogo Marcelo Dutra da Silva, a Refinaria sozinha não será capaz de reduzir a emissão de carbono em grande quantidade, mas isso será o ponto de partida para  uma economia mais sustentável: 

—  Os combustíveis verdes não eliminam emissões de gases do efeito estufa. O carbono ainda está lá, mas em menor quantidade. Ou seja, é um ciclo rápido de queima e sequestro, que nos combustíveis de origem fóssil não temos. Por isso os combustíveis verdes são considerados faixa amarela, de transição — afirma.

A Refinaria Riograndense

  • Inaugurada em 1937, a indústria está na gênese da produção de petróleo no Brasil, sendo a primeira refinaria do país.
  • Batizada originalmente de Refinaria Ipiranga, foi vendida em 2007 para Petrobras, Braskem e Ultra e gera atualmente 320 empregos diretos, 150 terceirizados e 2 mil indiretos.

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