Revendedores absorvem alta do ICMS e enfrentam aperto nas margens do gás de cozinha
Os combustíveis ficaram mais caros em todo o país a partir de 1º de janeiro, com a entrada em vigor das novas alíquotas do ICMS para gasolina, diesel e gás de cozinha, definidas de forma unificada pelos Estados e pelo Distrito Federal. A mudança segue a legislação que estabelece um valor fixo por litro ou quilo, atualizado anualmente, conforme deliberação do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz).
Para 2026, o imposto passou a ser de R$ 1,57 por litro de gasolina, R$ 1,17 por litro de diesel e R$ 1,47 por quilo do gás de cozinha, representando aumentos de R$ 0,10 na gasolina, R$ 0,05 no diesel e R$ 0,08 no gás. No caso do botijão de 13 quilos, o reajuste do ICMS equivale a aproximadamente R$ 1,04 no custo do produto.
De acordo com o empresário do setor Antonio Loss, o aumento já foi repassado pelas distribuidoras aos revendedores a partir do início do ano, mas não deve ser sentido de forma significativa pelo consumidor final. Segundo ele, o valor adicional é considerado difícil de ser repassado integralmente na ponta, o que leva as empresas do setor a absorverem o impacto no custo.
Loss explicou que, além do reajuste direto no gás de cozinha, o aumento do ICMS sobre gasolina e diesel também influencia os custos operacionais, já que esses combustíveis são utilizados na logística de entrega. Ainda assim, a tendência é que esses acréscimos também sejam absorvidos pelos revendedores, pressionando as margens de lucro, que já apresentam defasagem.
O empresário destacou que o impacto financeiro varia conforme a estrutura de cada revenda. Empresas com maior número de funcionários e operações mais complexas tendem a sentir mais os efeitos do reajuste, enquanto revendedores de menor porte, que concentram atendimento e entrega em uma única pessoa, têm custos proporcionais menores. A estimativa é de que o aumento nas despesas de distribuição fique entre 5% e 10%, dependendo da realidade de cada negócio.
Sobre os próximos meses, Loss afirmou que o setor não esperava o reajuste do ICMS e que novos aumentos de impostos dificultam investimentos e a manutenção das atividades. Segundo ele, a elevação da carga tributária reduz a capacidade de investimento das empresas e também afeta trabalhadores, tanto na remuneração quanto na possibilidade de melhorias nas condições de trabalho.
Por fim, o empresário avaliou que, apesar da percepção de parte dos consumidores de que o gás de cozinha tem preço elevado, o GLP ainda representa um custo menor quando comparado a outras fontes de energia, como a eletricidade. Para ele, a absorção constante de aumentos reduz o poder de investimento do setor e limita avanços em áreas como estrutura e valorização dos funcionários.
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