Armazenamento pode chegar a 50 GW, mas setor ainda não sabe quanto contratar de flexibilidade

Armazenamento pode chegar a 50 GW, mas setor ainda não sabe quanto contratar de flexibilidade

https://uploads.megawhat.energy/uploads/2026/05/55296996916_13d3486d2f_k-1320×880.jpg

O Brasil aprendeu a contratar energia e, mais recentemente, potência, mas ainda não desenvolveu métricas claras para quantificar e remunerar atributos como flexibilidade, inércia, armazenamento e resposta rápida às oscilações da matriz.

Em painel que reuniu representantes da política energética, planejamento e operação, além de indústria e investidores, o consenso foi que destravar tecnologias como baterias químicas e usinas reversíveis exigirá novos sinais econômicos, mecanismos regulatórios e, possivelmente, contratações centralizadas.

Segundo Gustavo Ataíde, secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia (MME), os estudos de longo prazo já apontam necessidade expressiva de armazenamento no país.

“No PNE [Plano Nacional de Energia], no horizonte mais alargado de 30 anos, a gente já vê de forma muito clara a necessidade de sistemas e tecnologias de armazenamento”, afirmou durante evento sobre Usinas Reversíveis, realizado pela Copel e promovido pela MegaWhat, em Brasília.

Segundo ele, o Brasil poderá demandar cerca de 50 GW de capacidade de armazenamento de energia nas próximas décadas. Para Ataíde, os primeiros sinais dessa necessidade já começam a se refletir em iniciativas recentes de política pública voltadas à segurança e à flexibilidade do sistema elétrico.

“O que a gente fez recentemente é um primeiro passo”, disse, citando resoluções do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) relacionadas a estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) sobre reservatórios reversíveis e armazenamento hidráulico.

De acordo com ele, as medidas procuram reposicionar essas tecnologias no centro da política energética brasileira e alinhar planejamento, regulação e contratação.

A expectativa é criar previsibilidade suficiente para atrair investimentos e permitir mecanismos competitivos capazes de remunerar atributos específicos dessas tecnologias.

“A resolução sinaliza que é possível pensar em mercados competitivos, processos competitivos para contratação alinhados ao tempo de maturação da tecnologia e aos requisitos que ela pode fornecer ao sistema”, afirmou.

Brasil ainda não sabe medir flexibilidade

Questionado sobre quando o país poderá ter programas ou mecanismos específicos para contratação de armazenamento, Gustavo Ataíde evitou estabelecer prazos, mas ressaltou que o principal desafio, neste momento, é definir com precisão quais atributos e serviços o sistema elétrico efetivamente precisará.

“A gente precisa enxergar bem esses serviços, enxergar essas necessidades. Quanto a gente precisa de flexibilidade? Quanto temos disponível? Só entendendo bem o desafio é que conseguimos criar mecanismos para que todos os atores contribuam”, afirmou o secretário.

Na avaliação de Ataíde, o setor ainda opera em uma lógica centrada em energia e potência.

“Hoje a gente enxerga basicamente duas dimensões: energia e potência. Isso é relativamente recente. A contratação de potência avançou, mas ainda estamos dando passos lentos nessa direção”, disse.

Segundo ele, uma vez quantificadas necessidades futuras de flexibilidade, serviços ancilares ou armazenamento, será possível criar incentivos para que diferentes agentes ofereçam esses serviços ao sistema.

Ataíde defendeu ainda que a própria formação de preços do setor precisará evoluir. “A formação de preço precisa incorporar mais coisas ali dentro. A questão do armazenamento precisa entrar na formação de preço. Sem isso, a gente não terá sinal econômico suficiente para expansão do sistema”, destacou.

Potência, inércia e flexibilidade “no pacote”

Para o diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) Gentil Nogueira, a transformação da matriz elétrica expõe limites do modelo histórico brasileiro. “O setor elétrico sempre contratou megawatt-hora. Por consequência vinha potência, flexibilidade, inércia. Tudo isso estava embutido”, afirmou.

Isso funcionava, segundo ele, porque o sistema era fortemente baseado em hidrelétricas com reservatórios, capazes de entregar simultaneamente diferentes serviços ao sistema.

Na avaliação do diretor, o país avançou na definição de critérios para energia e potência, mas ainda não possui métricas equivalentes para atributos como flexibilidade ou inércia.

“Hoje eu só sei o que preciso para energia e potência. Enquanto a gente não avançar para formalizar outras necessidades do sistema, fica difícil acoplar as ofertas que diferentes tecnologias podem trazer”, afirmou.

Gentil argumentou que usinas reversíveis possuem vantagens em atributos pouco discutidos comercialmente hoje. “Quem trabalha com bateria química vai dizer que também tem inércia, mas é diferente. É uma inércia programada. O armazenamento hidráulico consegue reagir ao sistema de forma passiva”, afirmou.

De acordo com o diretor, o armazenamento hidráulico teria maior capacidade de operar em períodos longos do que baterias químicas tradicionais.

“O BEES sofre quando você aumenta muito as horas de armazenamento. O armazenamento hidráulico tem capacidade diferente nesse aspecto”, afirmou.

Ainda assim, Gentil reconheceu um entrave importante: o custo financeiro. “A reversível dura 100 anos, mas isso não tem valor numa análise econômica quando você traz para valor presente em um país com juros elevados”, disse.

Sinais econômicos para destravar investimentos

Embora defenda sinais econômicos mais sofisticados, Gentil alertou que quanto mais armazenamento entra no sistema, menor tende a ser a diferença de preços que justificaria novos investimentos.

“Como alguém olhando o sinal de preço hoje vai construir uma usina reversível que ficará pronta em cinco anos? Se eu colocar armazenamento suficiente, o próprio sinal desaparece”, afirmou.

Na avaliação do diretor, isso pode exigir contratação centralizada durante uma fase de transição.

“Muitas vezes, para acomodar a necessidade do sistema, infelizmente vamos ter que colocar contratação centralizada para que o ONS tenha o recurso disponível”, disse.

ONS: matriz muda rapidamente e exige novos instrumentos

Maria Aparecida Martinez, gerente-executiva de Planejamento Energético do ONS, destacou que a transformação da matriz brasileira acelera a necessidade de novos mecanismos.

Segundo dados apresentados no painel, o Brasil encerrou 2025 com cerca de 298 GW instalados, sendo aproximadamente 101 GW em hidrelétricas. A geração solar já soma cerca de 64 GW e deve continuar avançando rapidamente.

O crescimento renovável aumenta a necessidade de atributos como controle de frequência, reserva operativa, suporte à tensão, armazenamento de longa duração e capacidade de substituição rápida de geração.

Apesar disso, o operador admite que ainda faltam métricas formais para quantificar necessidades futuras de flexibilidade.

“Hoje parece que existe flexibilidade suficiente porque estamos operando. Mas olhando prospectivamente, não temos linha-base para definir essa necessidade”, indicou representante do operador.

Segundo Maria Aparecida, estudos probabilísticos vêm sendo desenvolvidos para avançar na mensuração dessas necessidades e avaliar impactos relacionados ao corte de geração renovável.

Consumidores podem ajudar a fornecer flexibilidade

O painel também discutiu maior participação da demanda no equilíbrio do sistema. Para Paulo Pedrosa, presidente da Abrace, consumidores industriais podem contribuir por meio de resposta da demanda, alteração de processos produtivos ou deslocamento do consumo para horários mais favoráveis.

“O principal é ter visão compartilhada e caminhar na direção correta”, afirmou, complementando que sinais econômicos inadequados podem acabar estimulando comportamentos que aumentam custos sistêmicos e necessidade de expansão térmica.

Por outro lado, consumidores poderiam se tornar agentes ativos na redução de custos do sistema, desde que recebam incentivos corretos.

Além dos desafios econômicos, investidores apontaram barreiras regulatórias para implantação de reversíveis no Brasil.

Entre as dúvidas estão enquadramento regulatório, alterações em concessões existentes, licenciamento ambiental e classificação de diferentes tipos de armazenamento hidráulico — temas discutidos na Consulta Pública 39.

“Hoje, se quisermos fazer um projeto reversível, existem questões regulatórias que ainda não sabemos responder”, afirmou Diogo Mac Cord, vice-Presidente de Estratégia, Novos Negócios e Transformação Digital da Copel

A avaliação compartilhada foi que resolver essas incertezas será condição necessária para destravar investimentos antes mesmo da definição dos mecanismos econômicos de remuneração.

Fonte: https://megawhat.uol.com.br/noticias/armazenamento-pode-chegar-a-50-gw-mas-setor-ainda-nao-sabe-quanto-contratar-de-flexibilidade/
Data: 2026-05-27 15:59:00





RISCO DE NÃO CONFORMIDADE?

As resoluções da ANP são dinâmicas. Um lote fora da especificação pode gerar multas pesadas, recall e perda de credibilidade.

A Texas Oiltech atua como sua barreira de controle, fornecendo laudos acreditados ISO/IEC 17025 para liberação comercial ágil.

  • Verificação: Diesel, Gasolina, QAV-1, Biodiesel
  • Garantia: Laudos aceitos pelos órgãos reguladores


Solicitar Análise Urgente

Texas Oiltech Laboratories | Laboratório Acreditado | Campinas, SP

Share this content:

Mais de 40 anos de excelência em análises técnicas de petróleo, combustíveis e fluidos industriais.Com mais de 2.000 ensaios, atendemos refinarias, termelétricas, aviação e offshore com precisão, agilidade e interpretação técnica dos resultados.Garanta qualidade, evite paradas e reduza riscos operacionais.Fale com nosso especialista: 📲 (19) 97157-2241 📧 comercial@texasoiltech.com.br